Mikhail Aleksandrovitch Bakunin (30/05/1814 - 01/07/1876)

Mikhail Aleksandrovitch Bakunin (30/05/1814 - 01/07/1876)
Um russo, louco, espontâneo, libertário, internacionalista, revolucionário... um anarquista!

terça-feira, 26 de julho de 2011

História Antiga: SOCIEDADES DA BAIXA MESOPOTÂMIA.



(objeto representando a raniha da noite, data de 2000 a.C. É uma personagem da mitologia mesopotÂmica. há pesquisadores que dizem que foi para ela que a Torre de foi construida.)

A Mesopotâmia, se divide em duas partes, respectivamente a noroeste e a sudeste do ponto em que os dois rios mais se aproximam um do outro: a Alta Mesopotâmia, mais montanhosa, e a Baixa Mesopotâmia, imediatamente ao norte do Golfo Pérsico, região extremamente plana.
A Alta Mesopotâmia teve seu povoamento desde os tempos pré-históricos, a Baixa Mesopotâmia, apesar de ser muito fértil, só foi ocupada aparentemente pelo V milênio a. C., durante a fase de Ubaid. Escavações arqueológicas indicam que a verdadeira revolução urbana se deu na fase de Jemdet-Nasr (+/- 3100-2900 a. C.). A sua unidade política foi sempre a de cidade-Estado e permaneceu até 2371 a. C., apesar das tentativas de unificação.
Etnolinguisticamente o povoamento da Mesopotâmia esteve marcado por dois povos: os sumérios, que teriam vindos do sudeste do Irã (Elam ou Susiana) e se fixou ao sul da Baixa Mesopotâmia – país de Sumer ou Suméria;
e os acádios, que falavam uma língua flexão (palavras declináveis ou conjugáveis) do grupo semita, e que vieram do oeste, se instalaram só norte – país de Akkad ou Acádia. Em meados do III milênio a. C. estes estavam muito mesclados e a língua que predominou foi a semita (o babilônico foi derivado desta língua e por fim veio o aramaico). Houve muitas migrações devido as invasões violentas de nômades semitas vindos do oeste da Síria (amorreus ou amorritas, arameus, caldeus) e de montanheses do leste (gútios, elamitas, cassitas) ou pelo norte (assírios).

2.1 - As forças produtivas.

Pelo fato das cheias dos rios da Mesopotâmia ser irregulares e violentas era necessário um sistema completo de proteção e de regádio, diques e barreiras de proteção, e ao mesmo tempo acumular água e cavar canais que irriguem os campos nas secas. Por volta do III milênio a. C. , o principal dos canais naturais dos rios era da cidade de Kish, o da cidade da Babilônia se tornou o mais importante no final do milênio seguinte. As mudanças dos cursos dos rios influenciavam nos assentamentos e concentrações demográficas. Na Suméria os principais eram na cidade de Nippur, Shuruppak, Uruk, Ur e Eridu.
Era impossível uma agricultura de irrigação individual, pois as obras de proteção e de irrigação exigiam um esforço coletivo e um uso regulamentado e disciplinado pela lei. Há casos de ter que voltar ao nomadismo devido a destruição das instalações de irrigação. Nas áreas planas o problema das cheias era que imobilizava o solo em charcos e impregnava-o de sal e gesso, acorrendo abandono das terras.
Mas o esforço era recompensado pois a fertilização do solo rendia até 200% a colheita. Essa qualidade da plantação explica as cidades como Ur que chegou facilmente a ter 200.000 habitantes e outras chegaram a 20.000 ou 50.000.
Os assentamentos seguiam perto os cursos dos principais rios, no inicio os sistemas de irrigação eram em pequena escala, foi apenas no III milênio a.C. é que surgiram as obras de grande porte, por causa dos governantes desenvolvendo a urbanização. Então, as obras de irrigação não foram responsáveis totalmente pela povoação na mesopotâmia, mas permitiram uma concentração bem maior em um espaço que limitavam a existencia de um numero de pessoas com tamanha densidade. Mas temos que levar em consideração as tecnologias que surgiam, o uso do ferro para ferramentas foram importantes para o desenvolvimento de uma agricultura que levou a um aumento populacional e, conseqüentemente, a um comércio.

Principais atividades econômicas.

A agricultura: base da vida econômica e da urbanização, desde o milênio III. O cereal mais cultivado era a cevada para a alimentação do gado e para matéria-prima (cerveja); Também o trigo, gergelim para o azeite, legumes, raízes, pomares de árvores frutíferas e árvores para obtenção da madeira. Muito escassa na região (a mardeira utilizada era a tamareira).
A pecuária, esteve junto com a agricultura; criavam ovinos, carneiros, porcos, gados, mulas. Os gados e asnos (meio de transporte) puxavam arados e carros. Os cavalos só vieram no milênio II a.C.
A lã também era para a produção têxtil, o linho e o algodão só vieram no II milênio a.C. a pesca e a caça, depois que se sedentarizaram, se tornaram atividades complementares. O junco, planta que nascia nos pântanos das cheias, era usado para produção de barco, cestas, cordas e cabanas. A argila era para a fabricação de cerâmica e tijolos, havia escultores e carpinteiros, além de trabalhar com a argila e com a madeira, trabalhavam na escultura com pedra. Nas oficinas desses artesãos a matéria-prima era importada quando não produziam, como o metal, cobre e o estanho.
O comércio, desde 4000 a.C. era muito importante, havia contatos com a Arábia e a Índia.

A Sociedade mesopotâmica.
O III milênio a. C.
Por volta de 3100 a.C. e 2900 a.C. haviam chefes de cidades-estados que também eram sacerdotes. No milênio III a.C., por volta de 2500 a.C. aparece outros elementos de organização, como as “corvéias”, que seriam formas de trabalho forçado para obras públicas como os diques para irrigação. É nesse tempo que os reis se proclamam de caráter divino (dizem ser representantes de deuses, os chamados patesi). Cada cidade tinha um deus e esse vaiava de acordo com quem dominava a cidade, no período de domínio sumério foi o deus MARDUK que reinou nas imediações da cidade de Babilônia.
O resto da população se dividia em terras comunais e de famílias extensas como comunidades aldeãs. A propriedade privada era pouco existente, pois precisava de um grupo muito grande de pessoas para construção de diques para a irrigação e uma só família não dava conta. A população construía os diques em troca de ração. As comunidades possuíam terras coletivas.
Os Templos eram enormes complexos com terras e rebanhos, oficinas artesanais pois havia camponeses e artesãos a serviço dos sacerdotes, além de comerciantes.
A escravidão era predominante nas mulheres, que ficavam nas tecelagens, nos moinhos, serviços domésticos; a agricultura era para os homens. Pelas terras não ter proprietários particular, ou era do Estado (do rei) ou das comunidades aldeãs (nessas era um pequena parcela), portanto a produção era estatal (toda do rei).
Os comerciantes (damgar) eram funcionários a serviço do palácio e dos templos, mas faziam negócios por conta própria mesmo no período estatizante da Dinastia de Ur, cidade que se tornou um grande centro urbano.

2.3.2 - O II milênio a. C.
Basicamente havia três tipos de propriedade de terra:
a) as extensas terras reais;
b) os domínios dos templos;
c) e as terras coletivas;

essa divisão de terras variava conforme alguns reinados que permitia até propriedade privada, como no tempo que a cidade de Ur chegou a ter 200.000 habitantes e um grupo comercialmente importante, estes eram chamados de tamkar e faziam vínculos com o Estado. Faziam empréstimos para a comunidade aldeã, compravam terras e escravos. Nesse tempo o direito privado se tornou legal na legislação do Estado, sendo protegido pelo rei.
Nas terras reais havia três setores sociais:
• A parte que administrava o palácio;
• Os que ficavam nos lotes arrendados a colonos ou camponeses;
• E as porções (ilku) que seriam concedidas a usufruto de soldados e funcionários em troca de serviços;

A sociedade era dividida em três camadas:
• awilum - o homem livre que gozava da plenitude dos direitos;
• mushkenum - o homem livre de status inferior, talvez uma categoria de dependentes do palácio e por este tutelados e protegidos;
• Wardum- o escravo;
Em 1792-1595 desenvolveu-se transações mercantis, cidades como Sippar, Eshnunna e Ur se desenvolveram pelo ano de 1894 e 1595 a. C. , devido a muitas famílias ricas que não tinham conexão com os templos e o governo real. No período por volta 2900 a.C. ocorre imigrações de povos tribais (cassitas, arameusm e caldeus).

2.3.3 - O I milênio a. C.
Nesse milênio já estamos com cidades desenvolvendo atividades privilegiadas como centros agrícolas, comerciais e manufatureiros.
O domínio assírio nas cidades não mudou muito suas leis e sua organização social, tendo os grupos com privilégios fiscais e outros obrigados a pagar os impostos, tendo sociedades urbanas e rurais.

A importância dos Templos na Mesopotâmia:
Por volta de 600 a.C. os Templos começam a arrendar terras surgindo uma classe grande de arrendatários e de pequenos proprietários de terras, os chamados ereshu (pessoa de posse que arrendava terras de grande extensão). Os Templos eram tão importantes que poderíamos chamar de “sociedade dos Templos” (shirkatu), dentro do domínio do império de Babilônia. Haviam indivíduos que haviam sido consagrados para a divindade pela família de gerações remotas. As oficinas de artesão e o comércio eram controlados pelos Templos, além de pastoreios e os comerciantes continuavam ligados ao palácio.
O grande problema da Mesopotâmia sempre foi as disputas por terras entre as cidades-estados que, ora uma enfraquecia a outra, ora eram dominadas por invasões estrangeiras.
Espero ter esclarecido as dúvidas!

FONTE: CARDOSO, C. F. S. Sociedades do Antigo Oriente Próximo. 3ª ed. São Paulo; Ática, 1991.

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